10 de novembro de 2015

7 razões

Mesmo com a minha resistência,
você decidiu tentar.
Com  todos os meus nãos,
você decidiu insistir.
Apesar da minha frieza,
você decidiu me tocar.
E com todas as as chances contrárias,
você me fez sorrir.
Mesmo com as minhas incertezas,
você decidiu ficar.
E à minha ausência de querer,
você decidiu resistir.
Se é preciso uma razão a mais
para, nisso, eu continuar
É que não basta eu ser tão racional,
quando você prefere sentir.


Fonte: http://4.bp.blogspot.com/--HCZJQjWt4E/UK4YbLS-LdI/AAAAAAAAAFY/gQdK5oDBwIQ/s1600/f.jpg

20 de junho de 2015

Canção pra não dançar

A bailarina já não quer dançar
No palco que agora se transformou
Em piso de madeira, em pano e luz
E só, e só

Aquele que antes era o seu lugar
Agora já não lhe pertence mais
Já não se sente mais parte dali
Foi só, foi só

Uma fase de experimentação
De novos ares para respirar
A algo novo poder se entregar
Sem medo nem segredo

Mas como toda fase, essa acabou
Ou está por acabar
E enquanto um renovo não vier
A bailarina não quer mais dançar

Agora nada de ponta dos pés
Agora nada de pliès, sautès
Nem piruetas, glissades, cambrès
Já basta, já basta

Agora nada de dança por dança
De um corpo vazio a se mover
Quase sem vida, quase sem nada
Já basta, já basta

A sapatilha, ela vai pendurar
Para enfeitar seu quarto e poder
Sempre ver e lembrar

Que um dia ela quis se arriscar
Que um dia ela, como flor, se abriu
E essa canção ela já quis dançar


18 de junho de 2015

FuneSarau


Quando eu morrer
Enfeitem a capela com poesia
Despejem poemas
Sobre o meu caixão

Porque a morte
Tão triste para quem fica
Pode ser menos sentida
Com um soneto, uma canção

Quando eu morrer
Não chorem suas lágrimas
Transformem seu pranto em palavras
Em versos, estrofes e rimas

Pois eu
Se em vida fui poeta
Na morte hei de ser lembrada
Pelas letras, minha grande sina

E se quiserem
Ainda podem declamar
Os textos que escrevi
Ou mesmo Quintana, Cecília

Vinícius
Também pode estar lá
Junto com Fernando Pessoa
E outros fazendo-me companhia

Recitem até mesmo este poema
Que faço agora
Como um último pedido

E quando o meu dia chegar
Respeitem-me
A carne é morta mas o espírito, vivo

Não quero tristeza
Ao menos não tanta assim
Afinal estarei em paz
Vivendo com querubins

E de suas asas
Algumas penas vou arrancar
Pedir-lhes emprestadas
E meu trabalho continuar

Vou escrever
Com elas poemas divinais
Canções para os concertos
As orquestras celestiais

Façam o que peço
Transformem em sarau
A dor que sentirem
No dia do meu funeral

8 de junho de 2015

From the bus window

Da janela do ônibus vejo a vida passar
Vejo luzes e cores, mesmo quando o caminho é escuro
Há pessoas nas calçadas
Automóveis rumo a estradas
Prédios, casas, comércio e jardins
Dos muros de concreto às grades de ferro
Todos passam por mim

Da janela do ônibus vejo traços, vultos
Pedaços de imagens
Que correm diante de meus olhos
Há crianças, casais e indivíduos solitários
Trabalhadores, estudantes
Indo e voltando, apressados ou a passos lentos
Imagino para onde vão e o que há em seus pensamentos

Será que me veem?
Se me vissem o que veriam?
Pensariam quem eu sou e para onde o ônibus me leva?
Se eles tivesse tempo para isso...

Meros passantes, viventes
Caminhando, correndo
Ou parados nos semáforos
Esperando a hora de iniciar seus passos

Mas não passageiros
Que, como eu, inertes
Apenas os avistam e esperam a próxima parada

Porque só da janela do ônibus
É que somos observadores da vida
E até de nós mesmos

4 de junho de 2015

Morta-viva

Para onde fui, que não voltei e nem sei se volto?
Quem me arrancou todo o querer que um dia tive?
Será que arrancaram-no de mim
ou será que, dele, me desfiz deliberadamente?
E, se, deliberadamente me desfiz,
por que deliberadamente não o posso fazer ressurgir?

Para onde fui?
Quem me levou e não me trouxe de volta?
Fiquei perdida no tempo que parou
ou foi o tempo que passou e perdeu-se de mim?
Se, parado, o tempo, por que lá não permaneci?
Por que corri para este hoje insosso e vazio?

Sinto falta de sentir falta...
Sinto desejo de desejar
Mas nem mesmo o desejo se faz voraz
a fim de mover-me para outro lugar

Sinto falta de sentir
Pois, antes sentir, ainda que doa
do que não doer, mas permanecer
numa existência morta
neste mundo de gente viva e vívida

Ser pensante

Tento dormir, mas algo me impede. Viro-me, remexo-me no colchão. O sono já se foi. Escapou de mim. Substituíram-no meus pensamentos.

Sempre os pensamentos. Estes nunca fogem. Pensar e pensar, é só o que faço. Nenhum agir.

Sentir-me leve e livre parece-me impossível. Dar asas aos sonhos, buscá-los, querê-los. Mas não, o ser pensante que sou jamais me permitirá a transformação. Mutação tão necessária!

Quem me dera a pensadora se tornasse sonhadora, sendo então a tecedora de seus próprios sonhos. Para fazê-los, sabê-los. E os ter concre(tos)tizado.

9 de maio de 2015

Não-amor

Fonte: http://thefoxisblack.com/2011/02/14/not-in-love-a-mix-by-the-fox-is-black/
Não me apaixonei por você
Mas pela ideia de gostar de ti
Não me apaixonei pelo seu jeito
Mas pela imagem que você passou
De ser aquilo que eu queria pra mim
De ser o que eu precisava
De ter os requisitos que idealizei
Para uma relação tranquila e clara
Sensata e rara
Livre de cobranças e obsessões

Mas essa ideia já se foi
A imagem se desmaterializou
Em minha mente agora sã
Eu vejo que nunca foi amor
Ou quase amor
O que eu senti, ou pensei sentir
Ou quis sentir
Por você

7 de maio de 2015

O peixinho solitário

Vivia um peixe infeliz
no fundo do oceano
pois solitário ele era
à espera de um divino plano

Seus amigos do mar
estavam sempre em companhia
e diziam: pobre peixinho
sua hora chegará, espere e sorria

Mas o peixe, pobrezinho
abandonado em seu canto
vivia chorando e acreditava
que era em vão o seu pranto

Pois sua sina estava traçada
a solidão era seu caminho
havia mudado até de atitude
para tentar reverter esse destino

Passou a nadar bem arrumado
falar novas línguas e compor canções
mas todas que dele se aproximavam
apenas o faziam por possuírem ambições

Não era verdadeiro o que sentiam
e assim o peixe percebeu
que era melhor viver sozinho
e em si próprio ele creu

Começou a admirar-se
a apreciar sua companhia
e sendo feliz consigo mesmo
mais do que nunca ele sorria

E quando menos esperava
surgiu um peixe-fêmea distante
transferiu-se do mar onde vivia
para fugir da violência atordoante

E o peixinho, que agora era poliglota
apresentou seu mundo à recém-chegada
aproximaram-se aos poucos e notaram
a imensidão de semelhanças entre si encontrada

Com o tempo, tornaram-se amigos
de amigos, um sentimento cresceu
o peixinho não mais solitário
encontrou sua companheira e feliz com ela viveu

Escrito em 31/05/2014, sob o pseudônimo de Aninha Siqueira
Adaptação da fábula El pez solitario
Presente na obra "Histórias de amor da terra e do mar", juntamente com o poema O sol e a flor, para o concurso Prêmio Saraiva 2014 - não, a obra não foi premiada, mas não deixa de ser especial ♥

6 de maio de 2015

O sol e a flor

Fonte: Google Imagens

A flor se abriu
deixou-se ver
sua singela beleza expôs
ao amanhecer

O sol sorriu
mostrou-se rei
da bela natureza e reinou
o mais brilhante ser

A flor quando viu
desejou ter
o calor daquela estrela e suspirou
para o alto quis se erguer

O sol sentiu
um perfume bom e quis saber
quem o exalava e era aquela flor
e do céu desejou descer

A flor se fechou
quando pôde perceber
que ao chão estava presa e tentou
em vão se desprender

O sol chorou
por reconhecer
tamanha delicadeza da flor
e não poder corresponder

No céu ficou
não por querer
mas porque o universo não deixou
que se soltasse e com a flor fosse viver

A flor e o sol
jamais alguém poderia crer
pelo outro um se apaixonou
mas à distância esse amor teria que sobreviver

Então cada um pensou
em uma maneira de um ao outro ter
numa troca de gentilezas a flor
exala o seu perfume e a ela o sol pode aquecer

Escrito em 31/05/2014, sob o pseudônimo de Aninha Siqueira
Presente em "Histórias de amor da terra e do mar" para o concurso Prêmio Saraiva 2014, juntamente com O peixinho solitário - não, a obra não foi premiada, mas não deixa de ser especial ♥

24 de março de 2015

A história clichê de Alice

Alice Castanho não sabia o que queria da vida: se um amor, se a solidão, se independência ou o colo dos pais para sempre. Mas a última opção, teve de descartar, não cabia à realidade. Todos um dia se vão, até Alice.

Às vezes sonhava com o momento em que despertaria para o mundo, sairia de mochila nas costas para descobri-lo e descobrir-se. Porém, não tinha coragem para tanto; sozinha não seria capaz de ir a lugar algum – ainda que convivesse bem consigo mesma, sendo sua melhor companheira. Outras vezes, sonhava em encontrar alguém como ela, que tivesse os mesmos desejos confusos, os receios escondidos, os segredos descabidos e as crenças – essas não poderiam faltar. Assim, Alice teria a chance de se ver no outro e, o outro, de ver-se nela para, juntos, descobrirem quem eram de fato.

Ah, Alice... Seu jeito doce de menina combinado a uma maturidade sem igual tornavam-na uma jovem mulher bem interessante. Embora não estivesse certa sobre o que queria da vida, de uma coisa ela tinha total certeza: felicidade seria seu sobrenome.

Um dia, acordou determinada a mudar sua história. Pegou sua bicicleta, pedalou sob o sol da manhã e chegou ao parque da cidade. Aquele ambiente a inspirou e, subitamente, ela entoou uma canção. Sua voz atraiu os ouvidos atentos dos que por ali passavam, até que juntou-se uma multidão para admirar aquele belo espetáculo. E Alice decidiu: queria ser cantora.

Começou no parque, depois foi tomando as praças, e após algum tempo, já participava dos festivais de música, ficando sempre entre os primeiros colocados. Alice tinha uma voz incrível e uma emoção que transparecia aos seus ouvintes, encantando-os.

Certa vez, num pequeno show, cantou , como convidada, um dueto que parecia celestial. A voz um tanto rouca do outro cantor combinou perfeitamente com a leveza de seu timbre, e juntos foram ovacionados pelo público. Ao despedirem-se, trocaram telefone, e-mail e também olhares, prometendo combinarem o próximo evento.

A partir dali, conversaram todos os dias, encontraram-se muitas vezes e algo estranho aconteceu. Alice e o tal cantor não puderam evitar, mas daquela troca de olhares, um abraço surgiu. Nada mais importava enquanto estavam nos braços um do outro; era seguro, acolhedor, confortável. E aquilo foi se transformando, até que um beijo nasceu, o melhor de suas vidas.

Tinham medo do que sentiam, mas decidiram enfrentar. Juntos, um se apoiou no outro, e já viveram inúmeras aventuras: viajaram de mochila nas costas, ganharam (e continuam ganhando) uns bons trocados com a música, compraram um apartamento e estão decorando o quarto do bebê que deve chegar a qualquer momento.

Ah, Alice, sua vida tornou-se um clichê. Mas você não liga para isso, pois está feliz e já sabe o que quer: em vez do colo dos pais, agora quer ser aquela a ter um colo a oferecer.

23 de fevereiro de 2015

Coragem/Covardia

Coragem ou covardia? Depende do ponto de vista.

É ato de bravura desistir daquilo que te dava segurança, mas pouco bem-estar? Ou é covarde quem desiste, apenas pelo fato de desistir?

Estive pensando no que fiz e no que tenho feito constantemente com a minha vida. Em tudo o que deixei para trás, e as implicações disso; no que deixei de descobrir por achar que não valia a pena; na falta de atitude para fazer valer. Ou será que a atitude foi sim empregada? Empregada de maneira tão feroz que levou-me à exaustão, impedindo-me de continuar? Ou nem tão feroz assim, mas apenas preguiçosa e sem força para tomar um rumo?

Penso se poderia ter feito diferente e permanecido. Se aquilo tudo me transformaria numa pessoa mais forte e madura. Mas penso também que, ao abandonar o que parecia não me pertencer outrora (ao qual eu, de igual maneira, parecia não pertencer), transformei-me de fato numa pessoa mais forte e madura. E corajosa. Corajosa para voltar e tentar de novo! Ou covarde por voltar para um caminho já conhecido, já percorrido.

Mas e se dessa vez der certo? E se eu fizer diferente, atuar mais diretamente para que funcione? E se, voltando para lá, agora, após esse tempo de reflexões e tentativas de traçar outras linhas, eu finalmente me der conta de que gosto, quero e preciso? Isso não quer dizer que pararei no tempo,  que ficarei estagnada. Eu sempre posso recorrer a outras possibilidades. Posso executar outras ações concomitantes a esta, certo? Sim. Posso. E assim o farei. 

Se isso é coragem ou covardia, depende do ponto de vista.

28 de janeiro de 2015

Pensava em nós

Sim, eu também pensava em nós
Mas não podia te dizer
Porque, sim, nossas rotinas distintas
Sempre me fizeram crer

Que jamais poderíamos ser dois
Num mesmo campo, num mesmo espaço
A razão não me permitiu deixar
Que o coração se entregasse a esse acaso

Que, de acaso, sinto e vejo, não tem nada
Tudo tem que passar, que acontecer
E memórias de nós dois foram criadas
Sem que as pudéssemos, de fato, conceber

E agora, cedo ou tarde, nos perdemos
Linguagem própria, símbolos, códigos múltiplos
Será que farão parte do cotidiano
Desses amigos (ou amigos em desuso)?

Mas, sim, eu também pensava em nós
Guardava o tempo, não era hora de querer
O que, na verdade, eu nunca quis direito
Mas de um jeito, eu quis, e precisava te dizer

Sim, eu também pensava em nós

27 de janeiro de 2015

Hey, friend

Hey, friend
You promised to stay
But I feel you so distant
Are you ok?

When your absence is present
I realize I miss you
In every single tiny thing
I can't help seeing you

Remembering you is good
When the moments together exist
But when there's no longer us
So a little pain beats me

Hey, my dearest friend
Will you come back, please?
Or will you disappear 
And forget this odd friendship?

I am here waiting for you
And the amazing news of your life
If you want me to be here
I am also here in bad times

For me and for you
If you want, I will stay
But if you don't, tell me
Then, for good, I'll go away





25 de janeiro de 2015

Para sempre nunca

Para sempre não existe
O que existe é o desejo 
De pra sempre existir
De tentar fazer durar
Mas o erro está em crer
Que isso tudo vai vingar
Quando, na verdade,
O fim insiste em vir

Por isso nada de se apegar 
Nada de criar memórias
Que só te farão lembrar
Que não há mais nada 

Para que acreditar em palavras 
Que após serem ditas
Já não querem dizer nada não?
Esqueça o que já foi
Aprenda que jamais será
Que não há o que esperar
Acostume-se a dizer adeus
Ou, melhor, não diga olá

21 de janeiro de 2015

O celular e o coração

Já parou pra pensar que o coração é como um celular pré-pago?

Quando novo, é bastante empolgante! Créditos e mais créditos são colocados, sempre e a cada vez, para que não se esgotem. E então, dependendo da operadora, quanto mais ligações recebidas, ganha-se bônus; ou quanto mais são feitas, também. Se dois corações, quero dizer, celulares, são da mesma operadora, melhor: chamadas e/ou torpedos ilimitados, a qualquer hora, em qualquer lugar. Mas as coisas funcionam bem quando as empresas são diferentes, basta que um se ajuste ao outro. Todos ganham, ainda que seja preciso esforço para manter esse contato.

No entanto, há também a época de vacas magras. O celular não funciona bem, não recebe sinal algum, e assim tudo torna-se um tanto mais difícil. A comunicação, as conexões, são cada vez mais raras. Se há sinal, mas não há créditos suficientes para completar qualquer ligação, a empolgação de outrora vai perdendo-se.

Assim, deixa-se de recarregá-lo, e há momentos em que até se consegue receber chamadas. Contudo, dependendo do celular, é provável que fique meses sem saldo, e assim, cada vez mais, vai-se bloqueando. Bloqueia-se para fazer e para obter ligações. Zerado. Parado. Congelado. 

Até quando? Até que se decida reativá-lo; até ser renovado o contrato com a operadora. Ou até que se mude para alguma outra, sem tantas complicações e burocracia, com as promessas de oferecer os melhores serviços já vistos no mercado. Até que ele volte a funcionar por completo; velhinho, usado, com algumas rachaduras e arranhões derivados de quedas, mas novamente ativo, firme e forte. 

19 de janeiro de 2015

Você de novo

Oi, quanto tempo. Tudo bem?
Sua vida? Seus planos? Tudo caminhando?
Na verdade, eu só queria dizer que hoje sonhei com você...
Em meio a alguns quase pesadelos, um sonho bom e tranquilo eu tive. Após anos distantes, nos reencontramos por acaso, e tudo parecia normal. O afeto, recíproco e intacto. Aquele nosso abraço de urso, quentinho, confortável. Tão bom como antes, e como eu nunca tive ou terei igual.
Pude me sentir bem, calma, segura.
Pude sorrir de verdade e ver seu sorriso tão sincero como o meu.
Te abraçar de novo e poder te ter por perto por alguns segundos. E te perder em seguida, já que precisei acordar. Nada é eterno, afinal.
Enfim, como você está?
Na verdade, não importa. 
Só passei pra dizer que hoje sonhei com você. E isso já é o bastante.

I've gotta let you go

I've gotta let you go
For good
For me
For you too

I've let some people go
And it has caused me much pain
So can you imagine how I'll feel
If you go and I stay?

But now you have a life
A family to start
And I'm not gonna cry
'Cause I know you're gonna smile

You are happy, I know that
And that's all I really want
So be happy wherever you are
And thanks for the memories you gave me once

But now I've gotta let you go
For good
For me
For you too

10 de janeiro de 2015

Inconstante

Sabe o que mais odeio em mim? Minha inconstância. Minha mudança abrupta de ideias e desejos e humor. Minha capacidade de querer tudo e minutos depois esse tudo cessar; de desejar sonhar, e no dia seguinte, acordar sem vontade de viver esses sonhos. 

Odeio pensar e repensar quando eu deveria agir, e, mais ainda, agir quando eu deveria pensar e repensar; ficar quieta quando eu deveria falar, e, mais ainda, falar quando eu deveria estar quieta, processando acontecimentos, esperando a ficha cair e a hora certa de dizer o que quer que seja (e essa hora passa, sempre passa). 

Odeio achar que sinto alguma coisa em mim, e, depois, alguma coisa dissipar-se e exterminar toda e qualquer pseudo-sensação. Ou achar que nada sinto e, de tempos em tempos, descobrir-me sensível (ao extremo, às vezes).

Odeio ser inconstante. Mas há momentos em que amo também.