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1 de dezembro de 2017

Sinto falta

Sinto falta de você. De suas palavras doces quando estou tão azeda; de seus carinhos afagando minha cabeça, minha barriga e até meu ego...


Sinto falta das nossas conversas empolgantes até tarde da noite, sobre os planetas, Deus, o presente, o futuro, e tantos outros. 

Sinto tanta falta de suas mensagens de bom dia! Ou mesmo durante o dia, do nada, simplesmente porque te deu vontade de me dizer as coisas bonitas do coração.

Sinto muita falta de nós, como éramos no princípio e como não temos sido devido aos nossos horários desencontrados, e à rotina um tanto quanto estressante em alguns momentos.

Seu romantismo parece ter dado lugar a conversas banais sobre o dia a dia. Nossas palavras parecem ser apenas da boca pra fora, e sua presença já não se faz tão presente em mim, tornando-me ausente também, por medo da perda repentina. Acho que prefiro ir me acostumando a uma vida sem você para que, quando este dia chegar, eu não entre em choque.

Sinto falta. Muita falta. 

Sol é Vida

 Sol é vida.


Antigamente, dias cinzentos me encantavam. Com chuva ou não, as nuvens encobrindo o céu eram o que eu queria ter. Eu sentia como se meu mundo fosse aquele, nublado, sem cor, sem vida, mas não me incomodava. Ao invés, me deleitava e exercia meu ser. Minha alma era cinza.

Hoje, em dias deste tom, já me sinto incomodada. Quero gritar, fugir, chorar... Minha energia parece ser sugada, diminuo, perco a força e a vontade de estar viva. 

Se alguns lampejos de sol despontam, já são o suficiente para que meu coração seja aquecido, e minha alegria restituída. Sem sol, não quero ser. Mas se ele vem, sinto que posso ser tudo. E assim serei! Basta o sol aparecer.

14 de março de 2017

O que não quero (desabafos pós-TPM)

Não quero ser a chata da TPM com os pensamentos negativos e dúvidas intermináveis.
Mas também não quero ser a chata do "eu te amo" a toda hora.

Não quero ser aquela que vai te desapontar e te impedir de realizar seus sonhos.
Quero ser a cura para alguns dos seus problemas, e que você também seja, dos meus, a solução.

Que adormeça comigo quando chegar a noite, e não tenha medo do escuro ao segurar a minha mão.
Quero te acordar de manhã sorrindo, e que você também me acorde com sua alegria e humor incríveis.

Não quero o controle, mas também não tanta liberdade.
Que não nos apeguemos demais um ao outro, mas não deixemos a rotina nos manter desapegados ao extremo.

Quero que você me ame por inteiro, com todos os detalhes que eu tiver.
Mas, acima de tudo, quero te amar do mesmo jeito, e um dia poder te dar tudo o que você quiser.

7 de março de 2017

Preciso de alguém (desabafos durante a TPM)

Preciso de alguém que me apoie, me abrace, me escute, me compreenda ou tente me compreender.

Alguém que esteja sempre comigo, e isso não significa apenas a presença física: que me fortaleça com suas palavras quando eu não estiver bem; que mande uma mensagem para me fazer acordar sorrindo; que a qualquer hora diga que me ama.

Alguém que saiba as minhas necessidades e as respeite – tanto a de ficar só quanto a de receber muito carinho e atenção, apenas para mostrar o quanto se importa comigo.

Que respeite também minhas crenças, mesmo quando não estiverem tão fortemente arraigadas dentro de mim – alguém que me incentive a (re)encontrá-las para que eu não me perca de quem sou.

Preciso de alguém que escolha ficar mesmo com muitas oportunidades de ir. E que o faça por livre e espontânea vontade, não por pena ou obrigação.

Alguém que, de vez em quando, elogie minhas virtudes, ou minha beleza, ainda que eu tenha acabado de acordar.

Que me aceite quando os hormônios explodirem, gerando as crises existenciais, de identidade e de ciúmes.

Preciso de um companheiro, um amigo e um amor, todos em um, que me encoraje a lutar pelos meus objetivos – ou, na falta deles, me ajude a encontrar um.

Preciso de alguém que me ensine, dia após dia, o significado da palavra amor: como, quando, onde, por quê – se é que há explicações lógicas para isso.

Alguém que me permita ser eu mesma, e que queira ser quem é ao meu lado; cujo olhar não esconda nem se esconda, mas se desnude para que eu possa enxergá-lo por inteiro. Alguém que não tenha medo de compartilhar seus medos e incertezas comigo (ainda que eu já tenha as minhas); sua felicidade e até o seu silêncio.

Alguém por quem eu sinta admiração, levando em conta todos os defeitos que possa ter.

Preciso de alguém que me faça sorrir, e que se sinta livre para sorrir comigo. Que não tenha vergonha de chorar na minha frente, e com quem eu possa me debulhar em lágrimas quando necessário.

Alguém que faça o possível para me conquistar e reconquistar a cada dia, manifestando em mim esse mesmo desejo, sem o medo de parecermos ridículos.

Alguém que não permita, de maneira alguma, que eu me sinta só. E que não se sinta sozinho ou perdido ao meu lado.

É só o que eu preciso.
É tudo o que eu preciso.

1 de janeiro de 2017

Sol

 Sol é vida.

Antigamente, dias cinzentos me encantavam. Com chuva ou não, as nuvens encobrindo o céu eram o que eu queria ter. Eu sentia como se meu mundo fosse aquele, nublado, sem cor, sem vida, mas não me incomodava. Ao invés, ali eu me deleitava e exercia meu ser. Minha alma era cinza.

Hoje, em dias deste tom, já me sinto incomodada. Quero gritar, fugir, chorar... Minha energia parece ser sugada, diminuo, perco a força e a vontade de estar viva. 

Se alguns lampejos de sol despontam, já são o suficiente para que meu coração seja aquecido, e minha alegria restituída. Sem sol, não quero ser. Mas se ele vem, sinto que posso ser tudo. E assim serei! Basta o sol aparecer.

Sinto falta

Sinto falta de você. De suas palavras doces quando estou tão azeda; de seus carinhos afagando minha cabeça, minha barriga e até meu ego...

Sinto falta das nossas conversas empolgantes até tarde da noite, sobre os planetas, Deus, o presente, o futuro, e tantos outros. 

Sinto tanta falta de suas mensagens de bom dia! Ou mesmo durante o dia, do nada, simplesmente porque te deu vontade de me dizer as coisas bonitas do coração.

Sinto muita falta de nós, como éramos no princípio e como não temos sido devido aos nossos horários desencontrados, e à rotina um tanto quanto estressante em alguns momentos.

Seu romantismo parece ter dado lugar a conversas banais sobre o dia a dia. Nossas palavras parecem ser apenas da boca pra fora, e sua presença já não se faz tão presente em mim, tornando-me ausente também, por medo da perda repentina. Acho que prefiro ir me acostumando a uma vida sem você para que, quando este dia chegar, eu não entre em choque.

Sinto falta. Muita falta. 

25 de fevereiro de 2016

Sobre sentir

Já desejei não sentir nada: nem dor, nem alegria, porque pensava que a dor seria sempre maior que os momentos mais lindos que eu pudesse viver.

Já desejei não me apaixonar, pois acreditava que o apego era o que mantinha a conexão entre duas pessoas, e sempre tive medo de me desconectar de alguém. Principalmente se fosse o outro a "desapegar" de mim.

Já desejei não mais chorar, mas também não mais sorrir, por crer que qualquer sorriso poderia ser apagado repentinamente do meu rosto.

Já desejei não desejar, por jamais acreditar que eu pudesse ter. 
Desejei o não, sempre o não, por ter muito medo do sim. E por ter receio de que o sim pudesse trazer-me alegria, ao passo que me trouxesse dor; paixão, mas brutal desapego; sorrisos, que poderiam ser tomados pelas lágrimas; desejos, que poderiam transformar-se em frustrações.

O que aprendi?
Que não sentir tornou-me inerte, dormente, um vegetal ambulante.
Que eu não vivia os momentos, não me permitindo experimentá-los. Não, sempre não.

Hoje, eu quero é sentir. E sentir muito. Pois a vida sem sentimentos é dura. É indiferente. É sem graça. 
Chega de nãos. Quero só sim.

4 de junho de 2015

Ser pensante

Tento dormir, mas algo me impede. Viro-me, remexo-me no colchão. O sono já se foi. Escapou de mim. Substituíram-no meus pensamentos.

Sempre os pensamentos. Estes nunca fogem. Pensar e pensar, é só o que faço. Nenhum agir.

Sentir-me leve e livre parece-me impossível. Dar asas aos sonhos, buscá-los, querê-los. Mas não, o ser pensante que sou jamais me permitirá a transformação. Mutação tão necessária!

Quem me dera a pensadora se tornasse sonhadora, sendo então a tecedora de seus próprios sonhos. Para fazê-los, sabê-los. E os ter concre(tos)tizado.

24 de março de 2015

A história clichê de Alice

Alice Castanho não sabia o que queria da vida: se um amor, se a solidão, se independência ou o colo dos pais para sempre. Mas a última opção, teve de descartar, não cabia à realidade. Todos um dia se vão, até Alice.

Às vezes sonhava com o momento em que despertaria para o mundo, sairia de mochila nas costas para descobri-lo e descobrir-se. Porém, não tinha coragem para tanto; sozinha não seria capaz de ir a lugar algum – ainda que convivesse bem consigo mesma, sendo sua melhor companheira. Outras vezes, sonhava em encontrar alguém como ela, que tivesse os mesmos desejos confusos, os receios escondidos, os segredos descabidos e as crenças – essas não poderiam faltar. Assim, Alice teria a chance de se ver no outro e, o outro, de ver-se nela para, juntos, descobrirem quem eram de fato.

Ah, Alice... Seu jeito doce de menina combinado a uma maturidade sem igual tornavam-na uma jovem mulher bem interessante. Embora não estivesse certa sobre o que queria da vida, de uma coisa ela tinha total certeza: felicidade seria seu sobrenome.

Um dia, acordou determinada a mudar sua história. Pegou sua bicicleta, pedalou sob o sol da manhã e chegou ao parque da cidade. Aquele ambiente a inspirou e, subitamente, ela entoou uma canção. Sua voz atraiu os ouvidos atentos dos que por ali passavam, até que juntou-se uma multidão para admirar aquele belo espetáculo. E Alice decidiu: queria ser cantora.

Começou no parque, depois foi tomando as praças, e após algum tempo, já participava dos festivais de música, ficando sempre entre os primeiros colocados. Alice tinha uma voz incrível e uma emoção que transparecia aos seus ouvintes, encantando-os.

Certa vez, num pequeno show, cantou , como convidada, um dueto que parecia celestial. A voz um tanto rouca do outro cantor combinou perfeitamente com a leveza de seu timbre, e juntos foram ovacionados pelo público. Ao despedirem-se, trocaram telefone, e-mail e também olhares, prometendo combinarem o próximo evento.

A partir dali, conversaram todos os dias, encontraram-se muitas vezes e algo estranho aconteceu. Alice e o tal cantor não puderam evitar, mas daquela troca de olhares, um abraço surgiu. Nada mais importava enquanto estavam nos braços um do outro; era seguro, acolhedor, confortável. E aquilo foi se transformando, até que um beijo nasceu, o melhor de suas vidas.

Tinham medo do que sentiam, mas decidiram enfrentar. Juntos, um se apoiou no outro, e já viveram inúmeras aventuras: viajaram de mochila nas costas, ganharam (e continuam ganhando) uns bons trocados com a música, compraram um apartamento e estão decorando o quarto do bebê que deve chegar a qualquer momento.

Ah, Alice, sua vida tornou-se um clichê. Mas você não liga para isso, pois está feliz e já sabe o que quer: em vez do colo dos pais, agora quer ser aquela a ter um colo a oferecer.

23 de fevereiro de 2015

Coragem/Covardia

Coragem ou covardia? Depende do ponto de vista.

É ato de bravura desistir daquilo que te dava segurança, mas pouco bem-estar? Ou é covarde quem desiste, apenas pelo fato de desistir?

Estive pensando no que fiz e no que tenho feito constantemente com a minha vida. Em tudo o que deixei para trás, e as implicações disso; no que deixei de descobrir por achar que não valia a pena; na falta de atitude para fazer valer. Ou será que a atitude foi sim empregada? Empregada de maneira tão feroz que levou-me à exaustão, impedindo-me de continuar? Ou nem tão feroz assim, mas apenas preguiçosa e sem força para tomar um rumo?

Penso se poderia ter feito diferente e permanecido. Se aquilo tudo me transformaria numa pessoa mais forte e madura. Mas penso também que, ao abandonar o que parecia não me pertencer outrora (ao qual eu, de igual maneira, parecia não pertencer), transformei-me de fato numa pessoa mais forte e madura. E corajosa. Corajosa para voltar e tentar de novo! Ou covarde por voltar para um caminho já conhecido, já percorrido.

Mas e se dessa vez der certo? E se eu fizer diferente, atuar mais diretamente para que funcione? E se, voltando para lá, agora, após esse tempo de reflexões e tentativas de traçar outras linhas, eu finalmente me der conta de que gosto, quero e preciso? Isso não quer dizer que pararei no tempo,  que ficarei estagnada. Eu sempre posso recorrer a outras possibilidades. Posso executar outras ações concomitantes a esta, certo? Sim. Posso. E assim o farei. 

Se isso é coragem ou covardia, depende do ponto de vista.

21 de janeiro de 2015

O celular e o coração

Já parou pra pensar que o coração é como um celular pré-pago?

Quando novo, é bastante empolgante! Créditos e mais créditos são colocados, sempre e a cada vez, para que não se esgotem. E então, dependendo da operadora, quanto mais ligações recebidas, ganha-se bônus; ou quanto mais são feitas, também. Se dois corações, quero dizer, celulares, são da mesma operadora, melhor: chamadas e/ou torpedos ilimitados, a qualquer hora, em qualquer lugar. Mas as coisas funcionam bem quando as empresas são diferentes, basta que um se ajuste ao outro. Todos ganham, ainda que seja preciso esforço para manter esse contato.

No entanto, há também a época de vacas magras. O celular não funciona bem, não recebe sinal algum, e assim tudo torna-se um tanto mais difícil. A comunicação, as conexões, são cada vez mais raras. Se há sinal, mas não há créditos suficientes para completar qualquer ligação, a empolgação de outrora vai perdendo-se.

Assim, deixa-se de recarregá-lo, e há momentos em que até se consegue receber chamadas. Contudo, dependendo do celular, é provável que fique meses sem saldo, e assim, cada vez mais, vai-se bloqueando. Bloqueia-se para fazer e para obter ligações. Zerado. Parado. Congelado. 

Até quando? Até que se decida reativá-lo; até ser renovado o contrato com a operadora. Ou até que se mude para alguma outra, sem tantas complicações e burocracia, com as promessas de oferecer os melhores serviços já vistos no mercado. Até que ele volte a funcionar por completo; velhinho, usado, com algumas rachaduras e arranhões derivados de quedas, mas novamente ativo, firme e forte. 

19 de janeiro de 2015

Você de novo

Oi, quanto tempo. Tudo bem?
Sua vida? Seus planos? Tudo caminhando?
Na verdade, eu só queria dizer que hoje sonhei com você...
Em meio a alguns quase pesadelos, um sonho bom e tranquilo eu tive. Após anos distantes, nos reencontramos por acaso, e tudo parecia normal. O afeto, recíproco e intacto. Aquele nosso abraço de urso, quentinho, confortável. Tão bom como antes, e como eu nunca tive ou terei igual.
Pude me sentir bem, calma, segura.
Pude sorrir de verdade e ver seu sorriso tão sincero como o meu.
Te abraçar de novo e poder te ter por perto por alguns segundos. E te perder em seguida, já que precisei acordar. Nada é eterno, afinal.
Enfim, como você está?
Na verdade, não importa. 
Só passei pra dizer que hoje sonhei com você. E isso já é o bastante.

10 de janeiro de 2015

Inconstante

Sabe o que mais odeio em mim? Minha inconstância. Minha mudança abrupta de ideias e desejos e humor. Minha capacidade de querer tudo e minutos depois esse tudo cessar; de desejar sonhar, e no dia seguinte, acordar sem vontade de viver esses sonhos. 

Odeio pensar e repensar quando eu deveria agir, e, mais ainda, agir quando eu deveria pensar e repensar; ficar quieta quando eu deveria falar, e, mais ainda, falar quando eu deveria estar quieta, processando acontecimentos, esperando a ficha cair e a hora certa de dizer o que quer que seja (e essa hora passa, sempre passa). 

Odeio achar que sinto alguma coisa em mim, e, depois, alguma coisa dissipar-se e exterminar toda e qualquer pseudo-sensação. Ou achar que nada sinto e, de tempos em tempos, descobrir-me sensível (ao extremo, às vezes).

Odeio ser inconstante. Mas há momentos em que amo também.

16 de novembro de 2014

O buraco (em prosa e verso)

PROSA
Às vezes tenho a sensação de que uma parte de mim foi brutalmente retirada. Meu estômago se contrai, um nó se forma em minha garganta e a única ação que eu penso em realizar é prender esse choro, por não ter como explicá-lo. As lágrimas parecem ser pouco; quando, raras vezes, as libero, o alívio é imediato, porém efêmero. Ao chorar, crio duas dores. Doem os pulmões, dói a cabeça. E meu pedaço não é restituído. Talvez dias depois, ou mesmo amanhã, não sinta mais o buraco. Mas sei que ele estará lá, até que eu o note novamente e esse ciclo se repita.

VERSO
Tenho, às vezes, a sensação
de que de mim uma parte
foi brutalmente retirada.
Contrai-se meu estômago
em minha garganta forma-se um nó
e a única ação que penso realizar
é esse choro prender
por não ter como explicá-lo.
As lágrimas parecem ser pouco.
Quando, raras vezes, as libero
o alívio é imediato, porém efêmero.
Ao chorar, duas dores crio:
doem os pulmões, a cabeça dói.
E aquele pedaço não me é restituído.
Dias depois, talvez, ou mesmo amanhã
não sinta mais o buraco.
Mas sei que lá estará
até que novamente eu o note
e esse ciclo se repita.

Poema 123, disponível na antologia "Somos Todos Poetas" através de concurso realizado pela página Lápis e Papel.
Adquira o seu aqui.

4 de novembro de 2014

Vozes

De repente não aguento mais ouvir vozes. Vozes que penetram na mente sem intenção, que permeiam pensamentos sem querer me afetar. Mas me afetam. Vozes que dizem as mesmas coisas, ou coisas novas, que perderam o sentido devido a minha falta de interesse em sabê-las. Os timbres de sempre. Os tons de todos os dias. Um simples falar que tem o dom de tornar qualquer possibilidade de paz uma confusão explosiva dentro de mim. Que me faz querer gritar e espalhar a minha voz, só a minha voz. Só. 


(Fonte da imagem: http://rafadivino.wordpress.com/2010/08/16/blablabla/)

8 de março de 2014

Eu, obstáculo



Meu único obstáculo sou eu mesma. Sou eu que me impeço de seguir em frente, buscar ruas e estradas para percorrer e viver o que vier.

Sou eu que não tenho coragem de dar um passo largo e pisar num terreno que desconheço; que me privo de prazeres e desprazeres, por receio de tentar sair do lugar.

Sou eu que não busco o que quero, ou não busco querer, por estar tão acomodada e confortável em meu lugar comum. Ou seria incomum?

Bem, confortável, de fato, não estou. Mas é que tudo parece tão fácil daqui. Aqui. Por enquanto, está tão melhor não ter que me preocupar... (Será mesmo que eu consigo não me preocupar?)

Sou eu que vivo achando que algum vento vai soprar mais forte e veloz e mudar esse destino meio sem destino; que algo cairá do céu, sem que eu precise procurar tanto.

Ora, sou eu que preciso acordar de vez, pois isso aqui não é sonho nem pesadelo. Isso é vida real. Sem chances de voltar atrás, de criar memórias sem tê-las vivido, de ser personagens distintas a cada história que penso ter fim.

O tempo só corre. Mas eu não corro.
Porque sou eu que me impeço de correr. Meu único obstáculo sou eu mesma.


(Imagem retirada de: http://malditacolica.blogspot.com.br/2012/06/inerte.html)


20 de fevereiro de 2014

Minha melhor companhia

A solidão é minha melhor companhia.

Tenho minhas desavenças e discussões comigo mesma. Falo o que penso e o que quero sem medo de me ferir. E se me firo, dou-me um tempo e logo tudo fica em paz. Quando sofro de mau humor, grito barbaridades, atiro objetos. Ou me calo, apreciando o meu momento, o meu mundo. Sem ninguém por perto para me incomodar, nem para ser incomodado por mim.

Tenho meus momentos de amor próprio e narcisismo, em que me acho linda ao acordar, mesmo descabelada. E se não estou linda, me arrumo para mim mesma e teço elogios ao meu respeito. Fico a admirar-me no espelho.

Componho poemas e canções e os declamo e canto quantas vezes quiser, sem receio de parecer piegas. E, se enjoo, logo crio uma nova arte para me encantar. 

Devo satisfações somente à minha pessoa. Invento desculpas e minto e me engano. Não crio expectativas. Ou, se as crio, posso satisfazê-las. Caso contrário, iludo-me, desiludo-me, mas logo me perdoo. 

E assim, vivo para mim, me amando sem fim.


ATUALIZAÇÃO: Texto publicado na Antologia de Poetas Gonçalenses 2, lançada em 16/11/2014.

11 de fevereiro de 2014

Meu ódio

Odeio você.
E o modo como se aproxima de mim: vez ou outra, lento e sorrateiro; ou então me tomando de súbito.

Sempre que chega, eu deixo de ser eu. Ou sou eu, mais intensa.
Odeio o fato de mexer tanto comigo. De me tirar do sério, abalar meu humor.
Eu estava tão feliz antes de você chegar! Sorria à toa, sem medo da vida. Sem pensar no meu futuro.

Mas então vem você, me toma e me entristece. Deixando-me furiosa, irritadiça. E demasiadamente sentimental.

Por que você existe mesmo?
Odeio as dores que me causa quando se aproxima trazendo consigo "aquela" visita. Incômodo desnecessário.

Odeio como oscilo entre a felicidade e a vontade de me fechar no meu mundo para nunca mais me abrir outra vez.

Simplesmente odeio você. Mas não posso te tirar da minha vida, afinal, você é parte de mim.
E já que não há outra alternativa, tenho que conviver com sua presença excruciante e esperar que vá embora após a tempestade que provoca dentro do meu corpo.

Já vai tarde. E logo voltará. E esse ciclo se repete sem cessar.
Ah, como eu te odeio, TPM!




24 de janeiro de 2014

Borboleteando



Hoje acordei com a leveza de uma borboleta, que bate suas pequenas asas e flutua lindamente no ar, numa exuberante dança-voo.

Borboleta que, outrora lagarta, se arrastava pelo chão, insignificante. Agora, já fora do casulo, voa para lá, volta, e novamente se vai; move-se para onde deseja ir. Livremente, sem receios.

O metamorfoseado ser brilha dentro de si, e faz irradiar, para o mundo lá fora, todo esse brilho. Não mais em sua íntima prisão, mostra-se, sem pudores.

Movendo-se com uma inocência sedutora, e uma sedução inocente, traz consigo uma delicadeza admirável. Bonita de se ver. Voa leve.

E, leve, eu me sinto. Leve, eu, agora, me deito.


(Imagem retirada de: http://nollivrodavida.blogspot.com.br/2011/01/entao-borboleta-abre-lentamente-suas.html)


23 de janeiro de 2014

Estranho-maldito medo

É estranho ser esquecido. Da noite para o dia, ninguém se lembra mais de você. É como se sua existência fosse apagada da memória de outrem.

Estranho. Triste. E dói, né?

O medo da perda é o que me move na direção contrária à do amor. As poucas perdas já experimentadas foram o bastante para eu não querer sentir. E, ainda assim, dentro de mim há uma explosão de sentimentos.

É tudo tão intenso. Sempre. Intenso na mente. E acaba tornando-se intenso no corpo todo. Nunca sei para onde irradiar tantos sentimentos. Tantos medos. Tantos sonhos... E assim, viro refém. Estou presa.


E essa prisão não me permite viver. Não me permite sentir como eu deveria, ou gostaria.

E, assim, sonho com a liberdade. Mas não tenho coragem para transformá-la em fato. Culpa do medo. Maldito medo.