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7 de maio de 2015

O peixinho solitário

Vivia um peixe infeliz
no fundo do oceano
pois solitário ele era
à espera de um divino plano

Seus amigos do mar
estavam sempre em companhia
e diziam: pobre peixinho
sua hora chegará, espere e sorria

Mas o peixe, pobrezinho
abandonado em seu canto
vivia chorando e acreditava
que era em vão o seu pranto

Pois sua sina estava traçada
a solidão era seu caminho
havia mudado até de atitude
para tentar reverter esse destino

Passou a nadar bem arrumado
falar novas línguas e compor canções
mas todas que dele se aproximavam
apenas o faziam por possuírem ambições

Não era verdadeiro o que sentiam
e assim o peixe percebeu
que era melhor viver sozinho
e em si próprio ele creu

Começou a admirar-se
a apreciar sua companhia
e sendo feliz consigo mesmo
mais do que nunca ele sorria

E quando menos esperava
surgiu um peixe-fêmea distante
transferiu-se do mar onde vivia
para fugir da violência atordoante

E o peixinho, que agora era poliglota
apresentou seu mundo à recém-chegada
aproximaram-se aos poucos e notaram
a imensidão de semelhanças entre si encontrada

Com o tempo, tornaram-se amigos
de amigos, um sentimento cresceu
o peixinho não mais solitário
encontrou sua companheira e feliz com ela viveu

Escrito em 31/05/2014, sob o pseudônimo de Aninha Siqueira
Adaptação da fábula El pez solitario
Presente na obra "Histórias de amor da terra e do mar", juntamente com o poema O sol e a flor, para o concurso Prêmio Saraiva 2014 - não, a obra não foi premiada, mas não deixa de ser especial ♥

16 de novembro de 2014

O buraco (em prosa e verso)

PROSA
Às vezes tenho a sensação de que uma parte de mim foi brutalmente retirada. Meu estômago se contrai, um nó se forma em minha garganta e a única ação que eu penso em realizar é prender esse choro, por não ter como explicá-lo. As lágrimas parecem ser pouco; quando, raras vezes, as libero, o alívio é imediato, porém efêmero. Ao chorar, crio duas dores. Doem os pulmões, dói a cabeça. E meu pedaço não é restituído. Talvez dias depois, ou mesmo amanhã, não sinta mais o buraco. Mas sei que ele estará lá, até que eu o note novamente e esse ciclo se repita.

VERSO
Tenho, às vezes, a sensação
de que de mim uma parte
foi brutalmente retirada.
Contrai-se meu estômago
em minha garganta forma-se um nó
e a única ação que penso realizar
é esse choro prender
por não ter como explicá-lo.
As lágrimas parecem ser pouco.
Quando, raras vezes, as libero
o alívio é imediato, porém efêmero.
Ao chorar, duas dores crio:
doem os pulmões, a cabeça dói.
E aquele pedaço não me é restituído.
Dias depois, talvez, ou mesmo amanhã
não sinta mais o buraco.
Mas sei que lá estará
até que novamente eu o note
e esse ciclo se repita.

Poema 123, disponível na antologia "Somos Todos Poetas" através de concurso realizado pela página Lápis e Papel.
Adquira o seu aqui.

20 de fevereiro de 2014

Minha melhor companhia

A solidão é minha melhor companhia.

Tenho minhas desavenças e discussões comigo mesma. Falo o que penso e o que quero sem medo de me ferir. E se me firo, dou-me um tempo e logo tudo fica em paz. Quando sofro de mau humor, grito barbaridades, atiro objetos. Ou me calo, apreciando o meu momento, o meu mundo. Sem ninguém por perto para me incomodar, nem para ser incomodado por mim.

Tenho meus momentos de amor próprio e narcisismo, em que me acho linda ao acordar, mesmo descabelada. E se não estou linda, me arrumo para mim mesma e teço elogios ao meu respeito. Fico a admirar-me no espelho.

Componho poemas e canções e os declamo e canto quantas vezes quiser, sem receio de parecer piegas. E, se enjoo, logo crio uma nova arte para me encantar. 

Devo satisfações somente à minha pessoa. Invento desculpas e minto e me engano. Não crio expectativas. Ou, se as crio, posso satisfazê-las. Caso contrário, iludo-me, desiludo-me, mas logo me perdoo. 

E assim, vivo para mim, me amando sem fim.


ATUALIZAÇÃO: Texto publicado na Antologia de Poetas Gonçalenses 2, lançada em 16/11/2014.

25 de novembro de 2013

El pez solitario

       Había uma vez un pez que vivía solo en el fondo del océano. Su deseo era tener una compañera para toda la vida, y no había un día en que no lo pensaba.
      Sus amigos intentaban ayudarlo, diciéndole que su hora iba a llegar, pero el pezito se quedaba triste siempre que veía los otros pezes y sus compañeras: el caballito del mar, los delfínes y hasta los tiburones y estrellas.
     Entonces, pensó que devía cambiar su manera de agir para impresionar las hembras. Decidió aprender a bailar; empezó a estudiar las lenguas mariñas; pasó a nadar más bien compuesto y a ser notado por todos en el coral. Pero nadie le parecía buena companía; estaban interesadas en su exterior, no en su inteligéncia o personalidad.
     Así, el pez volvió a su canto piensando que su destino era viver solitario para siempre. Se acostumbró con esta idea y pasó a aceitarla, aceitando también a si mismo. Todo lo que hacía no era más para impresionar a nadie, solo para darle alegria y bien estar.
       Un bello día, un pez hembra extranjera llegó al coral, evadida de su país-océano de origen a causa de la violéncia de allá. Como el pezito hablaba otras lenguas, ellos se aproximaron aos poquitos y fueron descubriendo muchos intereses en comun. Se tornaron amigos; después de un tiempo se enamoraron, y el pez finalmente consiguió su compañera cuando no más a esperaba.

       ¿Cuál es la moraleja?

      No tienes que impresionar los otros esperando por algo o alguien; esto virá cuando tu estuvieres feliz consigo, y no más lo procurares.

Fábula criada como atividade do curso de espanhol.