25 de fevereiro de 2016

Sobre sentir

Já desejei não sentir nada: nem dor, nem alegria, porque pensava que a dor seria sempre maior que os momentos mais lindos que eu pudesse viver.

Já desejei não me apaixonar, pois acreditava que o apego era o que mantinha a conexão entre duas pessoas, e sempre tive medo de me desconectar de alguém. Principalmente se fosse o outro a "desapegar" de mim.

Já desejei não mais chorar, mas também não mais sorrir, por crer que qualquer sorriso poderia ser apagado repentinamente do meu rosto.

Já desejei não desejar, por jamais acreditar que eu pudesse ter. 
Desejei o não, sempre o não, por ter muito medo do sim. E por ter receio de que o sim pudesse trazer-me alegria, ao passo que me trouxesse dor; paixão, mas brutal desapego; sorrisos, que poderiam ser tomados pelas lágrimas; desejos, que poderiam transformar-se em frustrações.

O que aprendi?
Que não sentir tornou-me inerte, dormente, um vegetal ambulante.
Que eu não vivia os momentos, não me permitindo experimentá-los. Não, sempre não.

Hoje, eu quero é sentir. E sentir muito. Pois a vida sem sentimentos é dura. É indiferente. É sem graça. 
Chega de nãos. Quero só sim.

3 de fevereiro de 2016

When I dance

Fonte: https://www.keepcalm-o-matic.co.uk/p/keep-calm-and-dont-stop-dancing-9/













When I dance, my body flies
And so does my spirit
When I dance, my soul becomes light
And my eyes shine bright
When I do not, I feel alive, although not free
When I do not, I feel safe, but not totally
Music is needed, it is food for thought
Dancing is needed, it is water for thirst
Because when I dance, I can be anyone
I magically become another,
But this "another" is who I am indeed
I must never stop dancing
For I do not want my life to end


10 de novembro de 2015

7 razões

Mesmo com a minha resistência,
você decidiu tentar.
Com  todos os meus nãos,
você decidiu insistir.
Apesar da minha frieza,
você decidiu me tocar.
E com todas as as chances contrárias,
você me fez sorrir.
Mesmo com as minhas incertezas,
você decidiu ficar.
E à minha ausência de querer,
você decidiu resistir.
Se é preciso uma razão a mais
para, nisso, eu continuar
É que não basta eu ser tão racional,
quando você prefere sentir.


Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiDKbl1Yz_D0PaYtILhyhobvtAtB_hMggRwfsOJn5PctmOQvG5PRnrwIAASkfmeIrkBysKW6E3G3mp6Y3ix7Ae5JwBKsGrt-SY13Cl47rHETSZ0YcmnaPCb0R0sNuFn_6umYP-QMnktZlTR/s1600/f.jpg

20 de junho de 2015

Canção pra não dançar

A bailarina já não quer dançar
No palco que agora se transformou
Em piso de madeira, em pano e luz
E só, e só

Aquele que antes era o seu lugar
Agora já não lhe pertence mais
Já não se sente mais parte dali
Foi só, foi só

Uma fase de experimentação
De novos ares para respirar
A algo novo poder se entregar
Sem medo nem segredo

Mas como toda fase, essa acabou
Ou está por acabar
E enquanto um renovo não vier
A bailarina não quer mais dançar

Agora nada de ponta dos pés
Agora nada de pliès, sautès
Nem piruetas, glissades, cambrès
Já basta, já basta

Agora nada de dança por dança
De um corpo vazio a se mover
Quase sem vida, quase sem nada
Já basta, já basta

A sapatilha, ela vai pendurar
Para enfeitar seu quarto e poder
Sempre ver e lembrar

Que um dia ela quis se arriscar
Que um dia ela, como flor, se abriu
E essa canção ela já quis dançar


18 de junho de 2015

FuneSarau


Quando eu morrer
Enfeitem a capela com poesia
Despejem poemas
Sobre o meu caixão

Porque a morte
Tão triste para quem fica
Pode ser menos sentida
Com um soneto, uma canção

Quando eu morrer
Não chorem suas lágrimas
Transformem seu pranto em palavras
Em versos, estrofes e rimas

Pois eu
Se em vida fui poeta
Na morte hei de ser lembrada
Pelas letras, minha grande sina

E se quiserem
Ainda podem declamar
Os textos que escrevi
Ou mesmo Quintana, Cecília

Vinícius
Também pode estar lá
Junto com Fernando Pessoa
E outros fazendo-me companhia

Recitem até mesmo este poema
Que faço agora
Como um último pedido

E quando o meu dia chegar
Respeitem-me
A carne é morta mas o espírito, vivo

Não quero tristeza
Ao menos não tanta assim
Afinal estarei em paz
Vivendo com querubins

E de suas asas
Algumas penas vou arrancar
Pedir-lhes emprestadas
E meu trabalho continuar

Vou escrever
Com elas poemas divinais
Canções para os concertos
As orquestras celestiais

Façam o que peço
Transformem em sarau
A dor que sentirem
No dia do meu funeral