A hora voa
O tempo passa
Os dias correm sem parar
E a gente vive
Fazendo graça
Com medo disso tudo acabar
A vida é breve
Só desapegue
Das lembranças e sonhos ruins
Perdoe os fracos
Ao Amor se entregue
Antes de ser jogado aos cupins
Tenha cuidado
Não jogue fora
Aquilo que vai permanecer
Tenha em mente
Que, chegada a hora,
A sua essência eternamente vai viver
Quem tudo sabe e vê
Há de julgar
Todos os nosso feitos aqui
E quando formos
Pra sempre despertar
Vamos saber se merecemos tal fim, enfim
Criei este espaço com o intuito de expor algumas ideias, pensamentos e, até mesmo, palavras sem nexo algum. Publicarei imagens, textos, tanto do meu acervo quanto do de outrem. O importante é esvaziar minha mente, libertar-me das angústias que possam me afligir, dos pesares, assim como compartilhar com vocês, visitantes, as minhas maiores alegrias. E o mais importante: estar à vontade. Estejam-no vocês também! E voltem sempre.
13 de maio de 2014
29 de abril de 2014
E eu desapego
Quando eu me apego
é tão intenso
por menos tempo
que dure o que for
Se desapego
é tão mais rápido
que nem me lembro mais
daquela dor
Que o quase-amor
causou em mim
vejo seu rosto
e agradeço o fim
Já não lamento
o que passou
o que ficou pra trás
ficou
Não choro pelo que
poderia ser
desapeguei
foi rápido, eu sei
Mas é assim que eu sou
desapeguei do quase-amor
Mas é assim que eu sou
Desapeguei do quase-amor
(Imagem retirada de: http://ulbra-to.br/encena/2013/10/21/Eu-Desapego-quem-pega)
15 de abril de 2014
Para te prevenir
Não adianta tentar
Ganhar meu coração
Não adianta tentar
Ter-me em suas mãos
Sou uma rosa com espinhos
E eles ferem gravemente
Ainda que não seja a minha intenção
Não adianta esforçar-se
Para me conquistar
Não adianta esforçar-se
Para fazer-me amar
O que é pra ser, é sem esforço
Há de nascer naturalmente
Naturalmente há de brotar
E se não brota
É melhor não insistir
Não vá chorar
Não vá se iludir
Pois este aviso
Tem o intento de impedir
O seu sofrer
As suas dores prevenir
8 de março de 2014
Eu, obstáculo
Meu único obstáculo sou eu mesma. Sou eu que me impeço de seguir em frente, buscar ruas e estradas para percorrer e viver o que vier.
Sou eu que não tenho coragem de dar um passo largo e pisar num terreno que desconheço; que me privo de prazeres e desprazeres, por receio de tentar sair do lugar.
Sou eu que não busco o que quero, ou não busco querer, por estar tão acomodada e confortável em meu lugar comum. Ou seria incomum?
Bem, confortável, de fato, não estou. Mas é que tudo parece tão fácil daqui. Aqui. Por enquanto, está tão melhor não ter que me preocupar... (Será mesmo que eu consigo não me preocupar?)
Sou eu que vivo achando que algum vento vai soprar mais forte e veloz e mudar esse destino meio sem destino; que algo cairá do céu, sem que eu precise procurar tanto.
Ora, sou eu que preciso acordar de vez, pois isso aqui não é sonho nem pesadelo. Isso é vida real. Sem chances de voltar atrás, de criar memórias sem tê-las vivido, de ser personagens distintas a cada história que penso ter fim.
O tempo só corre. Mas eu não corro.
Porque sou eu que me impeço de correr. Meu único obstáculo sou eu mesma.
(Imagem retirada de: http://malditacolica.blogspot.com.br/2012/06/inerte.html)
20 de fevereiro de 2014
Minha melhor companhia
A solidão é minha melhor companhia.
Tenho minhas desavenças e discussões comigo mesma. Falo o que penso e o que quero sem medo de me ferir. E se me firo, dou-me um tempo e logo tudo fica em paz. Quando sofro de mau humor, grito barbaridades, atiro objetos. Ou me calo, apreciando o meu momento, o meu mundo. Sem ninguém por perto para me incomodar, nem para ser incomodado por mim.
Tenho meus momentos de amor próprio e narcisismo, em que me acho linda ao acordar, mesmo descabelada. E se não estou linda, me arrumo para mim mesma e teço elogios ao meu respeito. Fico a admirar-me no espelho.
Componho poemas e canções e os declamo e canto quantas vezes quiser, sem receio de parecer piegas. E, se enjoo, logo crio uma nova arte para me encantar.
Devo satisfações somente à minha pessoa. Invento desculpas e minto e me engano. Não crio expectativas. Ou, se as crio, posso satisfazê-las. Caso contrário, iludo-me, desiludo-me, mas logo me perdoo.
E assim, vivo para mim, me amando sem fim.
ATUALIZAÇÃO: Texto publicado na Antologia de Poetas Gonçalenses 2, lançada em 16/11/2014.
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