1 de janeiro de 2017

Sol

 Sol é vida.

Antigamente, dias cinzentos me encantavam. Com chuva ou não, as nuvens encobrindo o céu eram o que eu queria ter. Eu sentia como se meu mundo fosse aquele, nublado, sem cor, sem vida, mas não me incomodava. Ao invés, ali eu me deleitava e exercia meu ser. Minha alma era cinza.

Hoje, em dias deste tom, já me sinto incomodada. Quero gritar, fugir, chorar... Minha energia parece ser sugada, diminuo, perco a força e a vontade de estar viva. 

Se alguns lampejos de sol despontam, já são o suficiente para que meu coração seja aquecido, e minha alegria restituída. Sem sol, não quero ser. Mas se ele vem, sinto que posso ser tudo. E assim serei! Basta o sol aparecer.

Sinto falta

Sinto falta de você. De suas palavras doces quando estou tão azeda; de seus carinhos afagando minha cabeça, minha barriga e até meu ego...

Sinto falta das nossas conversas empolgantes até tarde da noite, sobre os planetas, Deus, o presente, o futuro, e tantos outros. 

Sinto tanta falta de suas mensagens de bom dia! Ou mesmo durante o dia, do nada, simplesmente porque te deu vontade de me dizer as coisas bonitas do coração.

Sinto muita falta de nós, como éramos no princípio e como não temos sido devido aos nossos horários desencontrados, e à rotina um tanto quanto estressante em alguns momentos.

Seu romantismo parece ter dado lugar a conversas banais sobre o dia a dia. Nossas palavras parecem ser apenas da boca pra fora, e sua presença já não se faz tão presente em mim, tornando-me ausente também, por medo da perda repentina. Acho que prefiro ir me acostumando a uma vida sem você para que, quando este dia chegar, eu não entre em choque.

Sinto falta. Muita falta. 

17 de novembro de 2016

Faz frio aqui dentro (ainda)

Fonte: https://www.mensagenscomamor.com/amor-frio
Aqui dentro continua frio
O gelo derrete pouco a pouco
Em leves doses
Em demoradas prestações

O calor, ainda insuficiente
Para tão geladas condições

Ainda faz frio aqui dentro
Pois insiste-se que o sol não entre
As janelas, abertas esporadicamente
E o aquecedor, com defeito aparente

Não se confia
Não se espera
Não se quer aquecer de fato
Tem-se o medo de que o calor se imponha e queime.

Quando ela aflora

Quando aflora
A mais espinhosa flor
Recomenda-se distância
Pois, sem querer ferir-te
Ela não se pode conter
E à carne, fere profundamente

Quando aflora
A mais fina flor
Recomenda-se rara aproximação
Pois leve e frágil
Suas pétalas vão ao chão
Ao mais tenro toque

Se a mais suave, porém espinhosa flor aflora
O cuidado é redobrado
Pontiagudos, os espinhos te rasgam
Mas também a si mesma

Suas delicadas pétalas caem
Finas vestes encontrando a dureza de tais espinhos
Que explodem, um a cada vez
Ou todos juntos, desordenadamente

Tenta se conter
Mas controlar-se, para quê?
O autocontrole é imperfeito
Quando esta flor desponta

Necessária explosão
Algumas vezes exagerada
Dependendo apenas
Do que despertar seu aflorar

23 de agosto de 2016

Meu coração ainda dói

Não sei por que razão, se é que há,
mas sinto dores
que parecem vir da alma.

É meu coração, que ainda dói
quando algumas lembranças
vêm dissipar minha calma.

Meu peito estremece por dentro
como se atingido por uma bomba.
Seus efeitos, intensos
deixam-no frágil, triste, na penumbra.

Com a razão, tento curar minha dor.
Não consigo, no entanto.
Pensar causa-me mais horror.

Em silêncio, sinto sozinha.
Não compartilho, pois quem há de entender?
Há quem possa se fragilizar
e não quero fazer outro coração doer.

Peço que o tempo me ajude
que pare as lembranças ruins.
E quando eu já não mais as tiver
então meu coração pode bater, sim.

Livre, sossegado
sem mágoas ou traumas do passado.
Pronto para que o hoje o assuma.
Fora de perigo para, então, dar novos saltos.